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14

Ago
2018

Ciência

Robô, impressora 3D, palestra com chinesa e muito mais sobre o ENIT 2018

ENIT terá workshop sobre negócios entre Brasil e China e contará com a participação da SCM Tecmatic, um dos maiores fabricantes de máquinas do mundo. Leia esta história e entenda como surgiu o maior evento de inovação tecnológica e científica do Sul do Brasil


Caso um robô se aproxime, não há com o que se preocupar. Possivelmente é o R2-D2 em um passeio autônomo pelos corredores do ENIT – Encontro e Feira de Negócios, Inovação e Tecnologia, em que serão abordados conceitos de indústria 4.0, cidades inteligentes (smart cities) e desenvolvimento sustentável, entre outras pautas, de 18 e 20 de setembro, em São Bento do Sul, Norte de Santa Catarina. Para quem não se lembra, R2-D2 é aquele simpático robozinho que fazia manutenção em astronaves e andava ao lado do impagável C3PO, "droide de protocolo fluente em 6 milhões de meios de comunicação”, e de Luke Skywalker, heróis da saga Star Wars (Guerra nas Estrelas), marco da ficção dos anos 80.

 

A versão são-bentense do robô foi construída às pressas para o ENIT 2017. Chegou a sofrer uma queda e quase não funcionou. Mas foi a atração do evento, que recebeu oito mil visitantes. Desde janeiro deste ano, quando foi implantado o Laboratório de Robótica da FETEP – Fundação de Ensino, Tecnologia e Pesquisa de São Bento do Sul, o droide vem recebendo sensores de obstáculos das mãos do estudante de mecatrônica Rauni Nóbrega, para que possa se locomover com independência pelos 8.000 mil m2 de área no ENIT 2018, cuja estimativa de público gira em torno de 10 mil pessoas.

Além da questão visual, a presença do R2-D2 na feira são-bentense de tecnologia também tem uma questão simbólica, pois representa as mudanças que já estão acontecendo com a chamada quarta revolução industrial ou indústria 4.0, que prevê a utilização em massa de robôs nas linhas de produção, delegando aos humanos funções criativas, mais prazerosas e menos perigosas, reduzindo o índice de acidentes de trabalho ou Lesões por Esforço Repetitivo, as chamadas LER. Daniel Leipnitz, presidente da ACATE – Associação Catarinense de Tecnologia, entidade que reúne mil empresas do setor de tecnologia e reponde por faturamento de R$ 10 bilhões ao ano, será um dos participantes de painel sobre esta nova ordem industrial durante o ENIT.

 

Parque Tecnológico substitui “cracolândia” de São Bento


Alguns dos sensores instalados no droide R2-D2 têm a mesma tecnologia utilizada nos carros da Tesla e, tal qual a montadora norte-americana, o sonho do jovem Rauni Nóbrega é utilizar o conceito de automação empregado no R2-D2 para produzir veículos autônomos, “tipo carrinhos de golf”, como ele observa, que poderiam ser usados na indústria, para transportar pessoas ou cargas, por exemplo.

 

Outra ideia de aplicação dos droides é que eles sejam utilizados no deslocamento de estudantes, professores, cientistas e pesquisadores entre os campi da Udesc, do Instituto Federal Catarinense, da Unisociesc, do Senai, da Incubadora Tecnológica da Fetep e do Centro de Inovação Tecnológica, cujas obras do prédio de 2,4 mil metros quadrados iniciaram em 2014, paralisaram em 2016 e foram retomadas em junho, com promessa de inauguração em 2019. Este é um dos 13 CIT programados pelo governo estadual, através da secretaria de Desenvolvimento Sustentável. Até o momento apenas os CIT de Lages, cidade do governador Raimundo Colombo e de Jaraguá do Sul, cidade do então secretário da SDS, Carlos Chiodini, foram inaugurados. O de Joinville ainda não começou a sair do papel.

 

Todas as entidades que integram o emergente parque Tecnológico de São Bento do Sul, aliadas a um belo jardim botânico, estão instaladas em uma grande área de terra aos fundos da antiga Vila Centenário, hoje batizada de bairro Centenário. Leva este nome porque foi um dos primeiros bairros de São Bento do Sul a ser alcançado pela estrada Dona Francisca, no traçado do engenheiro Augusto Wunderwald, nos idos anos de 1870. Na década de 90, início dos anos 2000, a Vila Centenário sofreu por conta das drogas. O bairro chegou a ser conhecido como a “cracolândia” de São Bento do Sul. Era comum ver pessoas consumindo a droga pelas ruas do bairro. Crimes eram frequentes. Moradores viviam assustados.

 

Aos poucos aquele tempo vai ficando para trás. Entidades de ensino e pesquisa foram se instalando e mudando o cenário. Agora, todas juntas, começam a consolidar o Parque Tecnológico de São Bento do Sul, projeto que está sendo desenvolvido na própria FETEP, pela estudante de Arquitetura da Unisociesc e estagiária da Incubadora Tecnológica, Thalia Quost. Universitária do oitavo período, Thalia utiliza diversos softwares para traçar as benfeitorias que irão interligar o parque. Tudo de acordo com as licenças oficiais da prefeitura e outros órgãos.

 

“Nosso objetivo é gerar desenvolvimento sustentável em todos os sentidos, não apenas para o bairro, mas para a cidade e a região, quiçá Santa Catarina e o Brasil. Podemos não ter o Vale do Silício, mas podemos ser a Vila do Silício”, compara o presidente da FETEP, Osmar Mühlbauer, numa referência ao antigo nome do bairro onde o parque está cada vez mais perceptível.

 

São Bento fabrica a 2ª maior impressora 3D do Brasil

 

Para atender uma fábrica de móveis, outro robô está em fase de produção no Laboratório de Robótica da FETEP, onde Rauni também se dedica a dar vida a uma impressora 3D, em parceria com o técnico em eletromecânica Leonardo Schifler, responsável pelo projeto e proprietário da Schifler Soluções Industriais, uma das empresas atendidas pela Incubadora Tecnológica da Fetep. Formado em engenharia de produção mecânica, em breve Leonardo conclui o curso de Engenharia Mecânica, na Univille, campus de São Bento do Sul. Desde o dia 1?de agosto, a dupla realiza os primeiros testes na impressora, imprimindo componentes que serão usados nela mesma.

 

A Druker Box, como foi batizada, será a segunda maior impressora 3D do Brasil, com capacidade de imprimir objetos com até 50 centímetros cúbicos. Desenvolvida para criar soluções industriais, a máquina terá como primeiro trabalho a impressão dos troféus para os vencedores do desafio “Escola que Inova”, projeto paralelo ao ENIT, criado com o propósito de incentivar o gosto pela tecnologia entre as crianças e jovens, estudantes de ensino fundamental e médio.

 

“É a garantia de continuidade do ciclo virtuoso da tecnologia, que já atende o objetivo proposto com a criação da Incubadora Tecnológica, em 2005, de diversificar a economia, gerar emprego e renda”, observa o gerente da FETEP, Osvalmir Tschoeke.

 

Neste ano, o desafio “Escola que Inova” visa promover o conceito de smart cities (cidades inteligentes), com vistas à sustentabilidade e mobilidade urbana. Como prêmio, os vencedores receberão smarthphones e notebooks, além dos troféus impressos pela Druker. Até o momento, 20 projetos estão inscritos para o desafio deste ano, mas as inscrições ainda estão abertas e podem participar equipes de até cinco integrantes de escolas municipais, estaduais e particulares de qualquer cidade. Aliás, as escolas são-bentenses desafiam as escolas de Joinville, Blumenau, Jaraguá do Sul, Itajaí, Balneário Camboriu e Florianópolis a subirem a serra para participar do Escola que Inova.

 

Desafio é a mola que impulsiona o desenvolvimento

 

A palavra desafio está intimamente ligada à história do ENIT, da Incubadora Tecnológica e da própria Fundação de Ensino, Tecnologia e Pesquisa. “Desafio é o que estimula o desenvolvimento”, ensina Osmar Mühlbauer. Aos 61 anos, ele conhece a fundo o significado da palavra, principalmente depois que sofreu um AVC, na época em que presidia a Condor, maior fabricante de escovas da América Latina, um dos patrocinadores do ENIT, que também conta com o apoio da FIESC, FACISC, CREA, entre outros parceiros.

 

Dono de mente brilhante, Mühlbauer precisou reaprender a viver, sem esquecer dos obstáculos que já superou. Lembra que em 1975, quando a indústria moveleira de São Bento do Sul deparou-se com a proibição da utilização de imbuia e mogno na produção de móveis, foi necessário pesquisar sobre os meandros da utilização do pinus eliotis para substituir as madeiras nobres. Da necessidade nasceu a FETEP, idealizada pelo maestro da centenária Banda Treml e autor do Hino de São Bento do Sul, Pedro Machado Bitencourt (in memorian) e criada no governo do prefeito Osvaldo Zipperer.

 

Após alguns anos de trabalho, a fundação entrou num estágio de marasmo. As atividades reduziram e a indústria moveleira de São Bento do Sul adaptou-se com esmero ao pinus. As coisas iam bem até demais, com recordes de exportação registrados ano a ano. Até que, 30 anos após a criação da FETEP, em 2005, uma crise nos Estados Unidos atingiu severamente os fabricantes são-bentenses de móveis.

 

Na época os Estados Unidos eram (voltaram a ser recentemente) o principal comprador dos móveis fabricados em São Bento do Sul. De uma hora para a outra, as encomendas foram canceladas. Com mercado prejudicado, a indústria moveleira sofreu forte impacto. Indústrias tradicionais, muitas de grande porte, faliram da noite para o dia. Milhares de são-bentenses buscaram outras cidades para viver. Neste cenário de desespero, a FETEP ressurgiu com a missão de combater o êxodo são-bentense. Era preciso apresentar soluções, com grande incentivo do então secretário de Desenvolvimento Econômico da prefeitura de São Bento do Sul, Uwe Stortz, proprietário da Cervejaria Alpenbier e hoje presidente da SCRCred - Cooperativa Catarinense de Crédito, criada para estimular investimentos em novos negócios no Planalto Norte.

 

Incubadora Tecnológica da FETEP diversifica a economia

 

Em 2005, Osmar Mühlbauer era presidente da ACISBS – Associação Empresarial de São Bento do Sul. Foi quando criou-se a Incubadora Tecnológica da FETEP, cujo presidente à época era o consultor de empresas Adelino Denk. A inauguração propriamente dita ocorreu no dia 1º de julho de 2006. Inicialmente, a ITFETEP foi instalada numa sala de aproximadamente quatro metros quadrados no CGE – Centro de Gestão Empresarial, no bairro Colonial.

 

Na salinha, o consultor Osvalmir Tschoeke, que fez diversos cursos sobre empreendedorismo na Alemanha, Israel, entre outros países, assumiu o desafio de estimular novos empreendimentos e orientar investidores sobre o melhor caminho a seguir para que os novos negócios prosperassem, contrariando a lógica brasileira em que cerca de 70% das novas empresas não sobrevivem ao primeiro ano de existência. Da primeira empresa incubada, hoje são 32, divididas em categorias de residentes e não-residentes, todas em pleno desenvolvimento. Em 2017, as incubadas já conseguiam gerar 165 empregos diretos e faturar R$ 23 milhões.

 

Atualmente, a incubadora está em prédio próprio de 680 metros quadrados, onde nove empresas residentes recebem consultoria constante para que se desenvolvam saudáveis e prósperas. Uma delas é a Schifler Soluções Industriais, responsável pela geração da impressora 3D Druker Box. Outras 23 empresas são não-residentes, que recebem consultoria, mas têm sua própria sede. Como a Smartmaq, por exemplo, que começou suas atividades numa sala de 40 metros quadrados na própria Incubadora Tecnológica, mudou para um galpão de 400 metros e recentemente instalou-se num amplo prédio, com 2.300 metros quadrados. A empresa precisou de mais espaço para atender os pedidos de máquinas. São produzidas em torno de 40 por mês.

Outro exemplo é a WBT Internet, que também começou suas atividades numa salinha, em 2009, e hoje acolhe a 68 colaboradores, com faturamento de R$ 1,2 milhões mensais. A WBT mantém 18 mil conexões de internet em São Bento do Sul, Rio Negrinho e Campo Alegre. Além de patrocinar o próprio ENIT e a construção do R2D2, a WBT integra um grupo de “investidores-anjo”, que analisam projetos de inovação apresentados no “Desafio ITFETEP”.

 

Nesta edição de 2018, apresentaram-se 24 projetos e 15 foram selecionados à fase de capacitação para exposição de seus negócios aos investidores. Apenas oito terão esta chance e um será agraciado com aporte financeiro para investir no novo negócio, com suporte de consultoria da incubadora. A empresa recém-nascida terá cinco anos para aprender a caminhar e ter segurança de seguir em frente, com acompanhamento à distância da incubadora. Mais uma vez, o ciclo virtuoso do desenvolvimento se faz presente.

 

ENIT nasce para divulgar incubadas

 

Divulgar as atividades desenvolvidas pela Incubadora Tecnológica da FETEP, que integra um seleto grupo das 20 melhores incubadoras do Brasil (conforme certificação do CERNE – Centro de Referência para Apoio aos Novos Empreendimentos) bem como das empresas que dela fazem parte, é um dos objetivos do Encontro e Feira de Negócios, Inovação e Tecnologia (ENIT). Praticamente todas as incubadas participam do evento, que com o passar dos anos, atraiu a atenção de empresas não-incubadas. Neste ano, por exemplo, a SCM Tecmatic, empresa com matriz na Itália e unidade fabril em São Bento do Sul, onde são fabricadas máquinas exportadas para vários países, inclusive a China, irá apresentar uma seccionadora com capacidade para cortar chapas em ângulo de 45 graus, além de um centro de usinagem de cinco eixos, capaz de processar peças em três dimensões e um óculos de realidade aumentada, o Smartech SCM, produto altamente tecnológico e revolucionário.

 

Neste ano, o evento chega em sua sexta edição e já registra os melhores números desde sua criação, em 2012. A pouco mais de um mês para sua realização, 68 expositores estão confirmados. Irão ocupar uma área de exposição superior a oito mil metros quadrados do gigantesco pavilhão da Promosul – Fundação Promotora de Eventos de São Bento do Sul. “Um avanço extraordinário, considerando que a primeira edição do evento foi realizada num pequeno auditório com 200 metros quadrados”, comenta o gerente da FETEP, Osvalmir Tschoeke. A mesma área será usada apenas pela SCM durante o ENIT 2018.

A título de curiosidade, a SCM faturou €$ 700 milhões de Euros em 2017. Boa parte deste rendimento refere-se às máquinas de alta tecnologia fabricadas em São Bento do Sul e exportadas principalmente para a China, o gigante asiático que investiu R$ 46 bilhões na importação de produtos brasileiros nos últimos 10 anos. Esta relação comercial entre Brasil e China será tema de um workshop durante o ENIT. Representante do governo chinês no Brasil, a executiva Mônica Fang falará sobre as oportunidades de negócios entre os dois países. Inovação tecnológica e geração de energia são os maiores interesses dos chineses atualmente. Tudo a ver com o ENIT!


Ao longo desses anos, o ENIT consolidou-se como o maior evento de geração de negócios, apoio ao desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação entre as empresas de tecnologia, indústria, comércio, prestação de serviços, instituições de ensino universitário (15 universidades participaram do ENIT em 2017) e instituições tecnológicas do Sul do Brasil.

 

Além de ser um evento de promoção de negócios e networking empresarial através da feira de empresas de tecnologia, de palestras, oficinas e da sessão de negócios, o ENIT abre espaço para que universidades, escolas técnicas e institutos de pesquisa apresentem projetos e pesquisas científicas nas áreas industriais e de comércio e serviços, que são desenvolvidos por seus técnicos e acadêmicos. Prova disso é a realização do INOVA, promovido pela Udesc, em parceria com a Univille, que visa a apresentação de trabalhos científicos, elaborados por graduados, pós-graduados e profissionais das mais variadas áreas, sempre com foco na sustentabilidade e cidadania. Neste ano, as inscrições para o INOVA encerram dia 20 de agosto.

 

Escolas de educação básica também apresentam à comunidade projetos de pesquisa, ciência, inovação e empreendedorismo desenvolvidos por seus alunos, entrando em contato com empresários, investidores e diversas instituições de ensino técnico, tecnológico e superior, podendo ampliar o horizonte de escolhas dos seus estudantes para o futuro. "Todo este ambiente inovador e empreendedor faz com que o ENIT seja o ponto de encontro entre pesquisa, inovação e negócios, gerando um modelo único e inovador", observa Osvalmir Tschoeke. O ENIT é um evento focado nos públicos empresarial e acadêmico, com entrada e participação gratuita. Acesse o www.enit.org.br e conheça toda a programação deste grande evento.

Contatos:

Mais informações no www.enit.org.br ou pelos e-mails atendimento@fetep.org.br ou imprensa@fetep.org.br. 47-3631-4350 ou 47-99931-0599, com Sandro Gomes, assessor de imprensa.