NOTÍCIAS


12

Fev
2018

Ciência Economia Outros

Cada grão de soja carrega um avião inteiro em tecnologia, aponta seminário

Com o tema ‘Produção e Tecnologia que desafiam Mercado e Produtor’, o primeiro seminário da Expedição Safra 2017/18 foi realizado nesta terça-feira (27), em Castro, nos Campos Gerais do Paraná. Mais de 100 pessoas assistiram as palestras técnicas e de mercado, promovidas na unidade da cooperativa Castrolanda no município.

O coordenador do Núcleo de Agronegócio diz que o mercado é favorável para o agronegócio brasileiro, principalmente no caso da soja e do milho. “No ano passado, o Brasil produziu 110 milhões de toneladas de soja e exportou 68 mi (t). Os Estados Unidos produziram 117 milhões de toneladas e exportaram 10 mi (t) a menos do que nós. Somos os maiores exportadores do mundo, com uma posição muito confortável. Nossas projeções atuais são de 115 milhões de toneladas na safra 2017/18, com potencial para vender até 70 mi (t)”, conta. Segundo Ferreira, a política e o câmbio abriram espaço e tornaram a oleaginosa brasileira mais competitiva. “Fatores que não devem mudar”, salienta.

No caso do milho, a situação é ainda mais impressionante e desafiadora. “Há 15 anos, o Brasil não exportava nada. Ano passado, exportou 29,24 milhões de toneladas. E há potencial para crescer. A política protecionista do novo presidente dos Estados Unidos abriu mercados, principalmente no México, que é um grande comprador. Só no ano passado, o Brasil dobrou as exportações de cereal para lá e neste ano pode fazer o mesmo”, pontua.


Durante a apresentação, Giovani Ferreira também falou da safra norte-americana e da situação agrícola nos EUA. Na semana passada, a Expedição Safra esteve na 94ª edição do Agricultural Outlook Forum 2018, em Arlington, Virgínia. “A agricultura nos Estados Unidos está estagnada. Não há mais área para crescimento e a renda líquida de uma propriedade agrícola caiu 50% nos últimos cinco anos. Safras cheias ao redor do mundo, preços deprimidos, endividamento em alta provocaram esse cenário”, conta Giovani. “E isso abre uma janela de oportunidades para o Brasil.”

Tecnologia

Durante o primeiro seminário da Expedição Safra, o presidente da SPRO IT Solutions, Almir Meinerz, fez uma apresentação sobre o ‘Campo Digital e Conectado’. Segundo o executivo, as mudanças tecnológicas são cada vez mais profundas. “Não são os negócios que estão mudando, mas os modelos. O Air BnB, por exemplo, é a maior rede de hospedagem do mundo sem ter um hotel”, diz. “Com o campo, com o agronegócio, não é e nem será diferente”, complementa.

Para Meinerz, as inovações estão em curso. “E isso é positivo, muitos jovens estão voltando para o campo. Querem aplicar o conhecimento no patrimônio. As empresas de agronegócio estão preocupadas em como se reinventar, em lidar com constantes mudanças no mercado e na tecnologia”, explica.

Internet das coisas e Big Data são termos cada vez mais usados em lavouras, cooperativas, traders. “A informação é um recurso mais valioso que o petróleo. E a tecnologia, que é um investimento, não um custo, possibilita isso. Ninguém mais fala em colono, mas em empresário do agronegócio”.

Castrolanda

O Gerente de Negócios Agrícola da Castrolanda, Márcio Copacheski, anfitrião do evento, ressaltou a importância da Expedição Safra. “Para nós é um orgulho participar do projeto, expondo nossas sementes para clientes e expandindo nosso mercado de atuação”, diz. Depois das palestras, os associados acompanharam as demonstrações de campo nas estações técnicas montadas pela cooperativa.

Gerente geral da Caixa Econômica Federal em Ponta Grossa, Leandro Faustin ressaltou o papel do banco no fortalecimento da agricultura nacional. “A Caixa é um braço direito do produtor. Estamos comprometidos com a tecnologia e com a sustentabilidade”.